NUTRIÇÃO NA LACTAÇÃO

5 NUTRIENTES IMPORTANTES PARA A MULHER EM FASE DE AMAMENTAÇÃO

Todo mundo sabe que o leite materno é o melhor alimento para o bebê! A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a amamentação exclusiva dos bebês durante os primeiros seis meses de vida, a fim de se alcançar o seu saudável crescimento e desenvolvimento. Depois, eles devem receber alimentos complementares nutritivos, mas podem – e devem – continuar amamentando até os dois anos de idade ou mais.

A lactação representa um estágio em que a saúde e o estado nutricional da criança dependem da mãe, pois os nutrientes presentes no leite vêm da dieta ou das reservas de nutrientes maternas.

De todos os processos fisiológicos, a produção de leite passa a ser priorizada pelo organismo, então, mesmo quando a mulher não está se alimentando adequadamente a qualidade nutricional do leite é mantida até certo ponto – as reservas de nutrientes se esgotam em algum momento!

Assim como acontece na gestação, a fase da lactação também é mais exigente do ponto de vista nutricional e requer atenção especial por parte da mãe! Deficiências maternas de micronutrientes podem resultar em um leite de pior qualidade nutricional e, como consequência, trazer alguns agravos de saúde para o recém-nascido.

A seguir falaremos um pouco mais a respeito de alguns micronutrientes importantes e que fazem parte da composição do leite materno:

Vitamina A:

Essa vitamina lipossolúvel é essencial em diversos processos fisiológicos e metabólicos envolvidos no crescimento, no desenvolvimento do sistema imunológico, no ciclo visual, dentre outros. A deficiência da vitamina A acomete pessoas em dezenas de países e, no Brasil, os índices dessa carência vitamínica são preocupantes, especialmente em gestantes e recém-nascidos.

Estima-se que cerca de 20% das gestantes sejam afetadas pela cegueira noturna, que é ocasionada pela carência de vitamina A. As mulheres que apresentam desnutrição moderada podem suprir as necessidades fisiológicas de seus bebês durante as primeiras semanas de aleitamento, pois o colostro e o leite materno, na fase inicial da lactação, são ricos em vitamina A. No entanto, após esse período, o teor de vitamina A do leite é diminuído, podendo comprometer a reserva hepática e resultar em consequências adversas para a sua saúde do bebê. A deficiência de vitamina A em crianças está associada à diarréias, infecções respiratórias e sarampo.

Alguns estudos intervencionais com a suplementação de vitamina A em lactantes já demonstraram resultados muito animadores em relação ao suprimento de carências e fortalecimento de reservas hepáticas dessa vitamina para a mãe.

Ferro:

O ferro é um dos minerais mais abundantes no organismo humano, que participa de diversos processos metabólicos incluindo a síntese de DNA. Pode ser facilmente encontrado na carne bovina, no feijão, na ervilha, nos cereais, nos grãos integrais e nos vegetais folhosos verde escuros. Para ajudar na absorção completa desse nutriente, a indicação é ingeri-lo junto com alguma fonte de a vitamina C, presente nas frutas cítricas, por exemplo.

Cerca de 0,3 mg de ferro por dia. Isso é o que o leite materno fornece, em média, para o bebê. Isso faz dele um mineral muito importante para a nutrição da mulher em fase de amamentação. A deficiência de ferro está presente de forma bastante expressiva no mundo todo e estima-se que cerca de 60% das gestantes tenham anemia por carência de ferro.

De forma geral, a suplementação de ferro é frequentemente recomendada durante a gestação e lactação, mesmo na ausência de anemia, com objetivo de suprir o aumento da demanda desse mineral nesse período. Atingir as necessidades diárias recomendadas de ferro durante a gestação e lactação somente pela alimentação é muito difícil, especialmente em países em desenvolvimento como o Brasil.

Zinco:

Este mineral está envolvido em importantes processos como crescimento, reparação tecidual e imunidade. A carência de zinco ocasiona diversas anormalidades bioquímicas e funcionais, trazendo, por exemplo, prejuízos para a velocidade de crescimento na infância.

Os recém-nascidos não têm reservas de zinco, devendo estas, portanto, serem fornecidas pela mãe através da amamentação.

A boa notícia é que a deficiência de zinco pode ser corrigida através de suplementação específica, assim como um aporte maior desse nutriente na fase da amamentação também pode ser atendido através da suplementação. 

Cálcio:

A amamentação exige uma boa reserva de cálcio no organismo materno: diariamente, entre 210 e 500 mg desse mineral é direcionado para compor o leite, e, por isso, a amamentação pode causar uma desmineralização temporária dos ossos.  O bebê, por sua vez, absorve cerca de 65% do cálcio proveniente do leite materno e isso é ótimo para a saúde e prevenção de doenças do recém-nascido.

Para suprir as necessidades de cálcio durante a fase da lactação, é preciso reforçar a ingestão desse nutriente. Leite, manteiga, queijo, iogurte e vegetais verdes como espinafre são boas fontes de cálcio. Claro que, muitas vezes, por diversas razões, o aporte desse micronutriente não é alcançado de forma suficiente. Por isso, muitas lactantes recorrem a suplementos que contenham cálcio, que demonstram ser excelentes opções para repor o cálcio perdido, além de ajudar a prevenir a osteoporose no futuro.

Vitamina B12:

Esta vitamina do complexo B é muito importante para o organismo, atuando como cofator em dois processos enzimáticos essenciais para o metabolismo do folato e síntese de DNA. Se a ingestão ou absorção da vitamina B12 pela mãe durante a gestação e lactação forem inadequadas, o bebê pode nascer com reservas limitadas de vitamina B12 hepática, podendo apresentar os sintomas da deficiência alguns meses após o nascimento. Problemas advindos da deficiência de vitamina B12 em bebês incluem: anemia, microcefalia, falha no desenvolvimento, apatia, distúrbios do movimento, entre outros.

O leite materno é uma fonte riquíssima de vitamina B12 para o recém-nascido, portanto, se os níveis de B12 da mãe estiverem baixos, então os bebês receberão uma quantidade também baixa desta vitamina através da amamentação. Existem evidências de que as concentrações de vitamina B12 no leite materno podem ser alteradas através da ingestão dessa vitamina via alimentação e/ou suplementação. Reforçar o aporte da vitamina B12 pode ser fundamental especialmente em populações nas quais é comum haver carência dessa vitamina, como por exemplo, em mães que não consomem alimentos de origem animal ou que já possuem histórico de deficiência da vitamina B12.

Além desses listados, existem muitos outros nutrientes importantes para as mulheres em fase de amamentação. A nutrição adequada no período da lactação é fundamental, pois através dela pode-se prevenir inúmeros problemas de saúde tanto da mãe quanto do bebê, além de ajudar a construir uma boa base imunológica para o recém-nascido.

Referências:

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